• ESCOLA X TECNOLOGIA: Nem sempre de mãos dadas

    Que a sociedade está em constante mudança não é novidade para ninguém, a grande questão aqui é saber se a escola está conseguindo acompanhar essa transformação no tempo em que ela ocorre, a tecnologia, por exemplo, que já é uma realidade em todos os setores da sociedade, ainda não conseguiu a mesma eficácia no interior das escolas brasileiras.

    Ultimamente estamos vivendo a era da revolução tecnológica, essa revolução ganhou força nas décadas de 80 e 90 com a utilização do computador e da internet para uso pessoal, em residências, é claro que primeiramente nos países desenvolvidos, contudo a popularização da Internet no Brasil só veio a acontecer de fato a partir do ano 2000, computadores e posteriormente a Internet eram vistos em todos os lugares, nas lojas, nas indústrias, exceto nas escolas, salvo algumas da rede privada.

    Hoje em dia qualquer adolescente conhece termos como “wireless”, “wifi”, “curtir”, “compartilhar”, etc. Uma conexão com a grande rede é a coisa mais simples, aparelhos como celulares, “tablets”, “notebooks”, e “ultrabooks” estão cada vez mais acessíveis, com isso a Internet está em todos os lugares e, consequentemente, as informações também, e, em tempo recorde. Mais uma vez fica a pergunta, toda essa facilidade na obtenção da informação já está sendo utilizada na escola? Temo que no geral a informação seja NÃO.
    Muitas escolas, em especial as públicas, ainda não dispõem de laboratórios com Internet, aquelas que dispõem, têm dificuldades para fazer uma utilização didática consciente do espaço, o laboratório acaba servindo apenas para pesquisas e um local para os alunos mais irrequietos acessarem as redes sociais as escondidas do professor responsável pelo espaço. Os problemas não acabam aí, fora do laboratório, no pátio, nas salas de aulas, por não saber lidar com essa tecnologia, normalmente a escola proíbe a utilização, o aluno pode usar a Internet em qualquer lugar, desde que fora da escola, ele acaba sendo punido por ter a seu favor um recurso tecnológico. Não é raro “ver” professor passar pesquisa para seus alunos e exigir que os estudantes escrevam à mão, a justificativa está na ponta da língua, “é para garantir que haverá leitura”, evitar o Ctrl C e Ctrl V (copiar e colar). É mais do que evidente ler para transcrever não muito diferente de ler para copiar na Internet, essa ação acaba sendo mais uma punição ao aluno por conta da utilização da ferramenta tecnológica, seria como obrigar alguém a fazer um fogo usando gravetos (como na pré-história) ao invés de fazer uso de um isqueiro ou algo similar, nesse caso o que deve mudar é o tipo da atividade proposta pelo professor, ele deve criar uma situação que exija do aluno uma leitura e uma intervenção sobre a situação proposta, em resumo, a tecnologia é uma aliada na construção do conhecimento.

    A equipe gestora de uma escola historicamente é formada por Diretor e Vice, Coordenadores e Orientadores Pedagógicos, Psicólogos (às vezes) e só, ainda não temos nas escolas um especialista em TICs (Tecnologia, Informação e Comunicação), o professor lotado no laboratório nem sempre exerce essa função, até porque, a maioria deles são professores readaptados. Enquanto não houver essa preocupação de preparar alguém para acompanhar o avanço das TICs e promover a socialização desse conhecimento no interior da escola o recurso mais moderno que será usado será o quadro branco, e acreditem ainda há escolas que estão no quadro-negro e no giz.  Esperar que mais essa função recaia sobre o professor que está na sala de aula é pedir muito, o professor brasileiro tem uma jornada que lhe obriga a ficar em sala de aula até quinze (15) horas por dia, cinco dias por semana, nos finais de semana e feriados é preciso corrigir e planejar atividades, não dá para acompanhar os avanços teológicos e fazer o trabalho letivo.

    É latente a necessidade de ampliar e qualificar a equipe gestora das escolas, espera-se muito dessa instituição, todavia, sem o devido investimento e nesse caso não apenas de recursos financeiros mas de servidores devidamente qualificados para essas novas funções, se é que podemos chamar de novas, a escola vai continuar privando os alunos de terem à seu favor qualquer recurso tecnológico que em geral é dominado pelo estudante e não pela escola.   
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